É tempo de vestir samarra!

Nas minhas andanças pelos livros, que é onde passo quase todos os meus dias, dada a minha profissão, encontrei este poema que adorei e vem mesmo a calhar. Também eu tive uma samarra e como eu a adorava vestir e sentir o pelo macio que acariciava as orelhas a caminho da escola. E…nestes últimos dias em que o frio também chegou ao Porto eu voltei a lembrar-me dela … e assim vesti-a (uma outra que entretanto adquiri pois eu sei que não cresci muito mais mas aquela de quando tinha dez anos deixou de me servir). Já agora até me lembro do dia em que foi comprada. Foi comprada pelos meus pais na Casa Casimiros num dia de Gorazes. Ficou à consignação da Dª Alzira, balconista da secção de senhora, no sentido de eu passar por lá no dia seguinte para a experimentar. E caiu que nem uma luva, de tal modo que nesse Inverno a usei quase todos os dias. Continuo a adorar ver o look invernal transmontano: uma samarra pelo corpo, um boné de pala sobre os olhos e umas boas botas feitas à medida e curadas pelo sebo. A minha samarra É uma relíquia transmontanaEsta quente e vetusta samarraSendo típica veste de montanhaNa verdade, nada tem de bizarra A pele doirada, cor de piçarraDe dócil raposa sacrificadaÀ vaidade que lhe deitou a garraTem a docilidade entranhada É vestuário de estaçãoQue protege do frio no InvernoPor isso se usa sem condição Nas serras de Trás-os-Montes paternoAgasalha corpo e coraçãoE a samarra é, sinal fraterno Vale de Salgueiro, sábado, 21 de Agosto de 2010Henrique Pedro – “Poemas da Guerra de Mim e de Outrem” (Editora Piaget – 2001). Aida Freitas Ferreira [Imagens históricas em validação de autoria e direitos.]

Fotografias autorizadas

Fotografia de Aida Freitas Ferreira

Fotografias: Aida Freitas Ferreira. Republicação autorizada pela autora.