Autor: luispardal

  • A Fogueira do Galo de Castelo Branco, Mogadouro

     

    Algumas tradições são tão antigas, que já se apagaram na memória dos povos os significados, motivos e gestos, dos rituais que as motivaram. Nelas resta pouco da origem, são apenas fagulhas que de longe lembram o tema primordial da vida de nossos antepassados.

    Uma que felizmente permanece viva é a Fogueira do Galo. Esquecida na maioria das aldeias é celebrada e mantida, até hoje, em nossa terra, graças ao empenho, garra e vontade, dos rapazes solteiros e de alguns homens casados.

    Para alguns esta celebração remonta na antiguidade e chega até nós, dos rituais pagãos dos povos que povoaram o Hemisfério Norte. Pode ser que sejam apenas lendas… Alguns historiadores afirmam que o motivo tem a ver com a diminuição dos dias que ocorre no solstício de inverno. Ao ver que os dias ficavam menores e temerosos de que o sol se extinguisse completamente, os homens das aldeias reuniam-se, para fazer grandes fogueiras e chamar a luz solar através, da labareda e do calor, que subia aos céus. “Esta crença ancestral levou à adopção do costume de acender fogueiras para evocar o sol a brilhar com mais intensidade de luz e calor, para que a Terra Mãe não deixasse de ser fértil”, afirma o investigador António Rodrigues Mourinho.

    Com a chegada do Cristianismo o costume de acender fogueiras no inicio do inverno se mantém, mas assume um novo motivo: o nascimento de Jesus. Que coincidentemente ocorre quatro dias depois do inicio do solstício de inverno, no dia 25 de dezembro.

    Desde o século IV, um hino latino cantado na cerimônia do Natal aponta o nascimento no meio da noite. Daí o costume de assumir que foi a meia-noite que Ele nasceu. Também é Neste horário que o Papa celebra a Missa do Galo na Basílica de Santa Maria Maior, desde o século V.

    A tradição da fogueira do galo é incorporada no rito natalino como complemento ou antecipação da Missa. As simbologias se fundem em uma só: Jesus é a luz do mundo, que passa a iluminar a todos e, o acender da fogueira, uma celebração desta luz divina, luz e calor que não se apagarão jamais. Celebramos o nascimento de um menino Deus.

    Nas leituras da missa uma passagem de Isaias remete para o tema: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte, uma luz começou a brilhar.” Curiosamente em todo o calendário litúrgico só duas missas são celebradas à meia-noite, a Missa do Galo e a Missa de Páscoa, pois nelas há o sentido de procurar a luz no meio da escuridão.

    Mas porque se chamam missa e fogueira do Galo?

    [Imagem histórica em validação de autoria e direitos]

    Nisto as tradições são diversas. Uma porem tem algum fundamento. O animal representa a vigilância e a fidelidade ao testemunho Cristão. Quem não se lembra de Pedro a negar a Cristo, perto de uma fogueira, depois da ultima ceia e, do mesmo Pedro, perturbado com a presença e canto da ave, em hora estranha, que imediatamente o remetem para as palavras do Mestre, “ao cantar do galo me negarás três vezes”.

    Assim perante a fogueira, um novo testemunho de fé é pedido aos Cristãos. Ao ver os raios de sol o galo canta e portanto, ao reverenciar o sol nascente, o galo e o povo, louvam o seu criador Jesus Cristo.

    Muitas das Igrejas mais antigas têm um galo em seus campanários. Existe ainda a lenda em alguns lugares que afirma que é chamada de Missa do Galo, porque, a única vez que um galo cantou à meia-noite foi na noite em que Jesus nasceu.

    De volta à tradição da fogueira do Galo em Castelo Branco, um elogio para os rapazes solteiros de todos os tempos que ano após ano, geração após geração, mantiveram uma das fogueiras mais fortes e animadas do Concelho de Mogadouro e do distrito de Bragança.

    Por aqui o galo teve sempre uma sorte um tanto diferente. Prendia-se na ponta de toro de olmo, com alguns bons metros de altura, depois era sacrificado e assado na fogueira. Aquele que matasse o galo ia buscar uma remeia de vinho, e quando as pessoas se dirigiam à fogueira, podiam provar do galo e beber um copo de vinho.

    No dia 24 desde o começo da tarde, os rapazes começam a recolher e a juntar a lenha que vai formar a fogueira e permitir que ela fique acesa por muito tempo.

    A lenha que hoje existe em abundancia por todos os lugares já foi em alguns tempos escassa. Usada nos fornos para fazer o pão e nas lareiras para aquecer as casas e os corpos durante o inverno rigoroso, que se faz sentir em nossas terra, era pouca e muito valiosa. Nestes tempos os rapazes iam de porta em porta com um ou dois carros de bois a pedir a lenha para a fogueira. Cada família contribuía com o que podia dar, mas todos queriam participar e assim os carros de bois eram rapidamente carregados.

    A fogueira foi durante muitos anos acesa no adro da Igreja. Neste lugar permitia reunir à volta dela a todos para se aquecer e confraternizar ao chegar ou sair da missa.

    Nos anos seguintes a fogueira cresceu de tamanho e quantidade de lenha usada para a acender.Como foi ficando maior de ano para ano, para não por em risco a Igreja e as casas próximas, foi mudada de lugar para o largo da Casa Grande e ali é acesa até aos dias de hoje.

    Atualmente há lenha com fartura e são usados tratores e maquinas para a recolher por todos os lugares. Mas a participação e o numero de rapazes é cada vez menor, porem os que participam são valentes e fazem autênticos milagres para manter esta tradição viva. Os albicastrenses são determinados, e tem feito algumas das maiores já vistas em todos os tempos, como por exemplo a de 2009.

    A fogueira é sempre motivo de orgulho e de união na nossa terra. Uma festa alegre, brindada com a força e alegria de todas as famílias de nossa aldeia, e claro que não podia deixar de ser celebrada também com alguns garrafões do vinho “nacional” albicastrense. Um vinho muito especial, como dizem os entendidos e apreciadores: O vinho, “nacional”, é um santo vinho  que alegra o coração das mulheres e não entristece o dos homens.

    A animada confraternização e reunião á volta da fogueira do galo proporciona a todos os presentes momentos de degustação de pão, presunto, alheiras, chouriços, chouriças, azeitonas que são sabiamente preparados com maestria pelas mulheres de nossa terra. O bacalhau cru, mesmo não sendo pescado na ribeira das pombinhas também faz sucesso e é muito elogiado por todos. Mas pudera não gostar, o sal dele puxa o vinho e apura o gosto…

    [Imagem histórica em validação de autoria e direitos]

    Nossa fogueira sempre fez e teve histórias para contar… Simbolicamente na década de 80 foi queimada uma malhadeira inteira na fogueira do galo, para representar o fim  dos trabalhos e canseiras da lida na lavoura, anunciado com a chegada das novas maquinas agrícolas à nossa região, . O autor deste manifesto foi nosso antigo regedor, Arlindo Parreira, um albicastrense que atualmente reside no Canadá, mas sempre presente.

    Relembrar tradições é também uma forma de as manter vivas! Talvez eu tenha esquecido de algo sobre a fogueira e missa do galo… Ajude a lembrar. Participe do site participe deste resgate!  Enviem artigos, fotos, lembranças, etc. para: luispardal@castelobrancomogadouro.com

    Abraços a todos e Feliz natal !

    Leia  outros artigos  do blog sobre a fogueira do Galo:

    Fogueira do Galo 2008 e Tradição da fogueira do Galo 

    Luis Pardal 

    Nota editorial: conteúdo recuperado do antigo Portal Castelo Branco Mogadouro. A formatação foi atualizada para esta republicação; o texto e a data histórica foram preservados.

    Imagens recuperadas

    Imagem recuperada do Portal Castelo Branco Mogadouro
    Imagem recuperada do Portal Castelo Branco Mogadouro

    Imagens recuperadas do acervo histórico do Portal Castelo Branco Mogadouro. Créditos e direitos em conferência documental.

  • A festa de S. Bernardino de Sena de 2010

    Autoria indicada no portal histórico: Aida Freitas Ferreira

    É no dia 20 de Maio de a nossa aldeia celebra o padroeiro mas, por razões várias (por ser dia de semana, por não haver disponibilidade do senhor padre, por isto ou por aquilo) a festa tem-se celebrado no fim-de-semana imediato, o que não foi possível este ano.

    Este ano vai celebrar-se no próximo sábado, dia 29 de Maio. Com pena minha não poderei estar presente e o tempo até promete um dia daqueles.

    A comissão de festas deste ano é composta por muitos imigrantes que muito se têm esforçado para fazer uma festa rija.

    Como é sabido a festa do padroeiro é feita pelos casados.

    Dos mordomos nomeados mantiveram-se estes 8 casais. Irei indicar os nomes começando pelos naturais:

    Óscar Freitas Ferreira e Margarida Sardinha Ferreira (meu irmão e cunhada);

    Filipe Fernandes, o “Angueira” e Elisabete Meleiro (meu primo)

    Mário Parreira – o “Parreirinha” e Daniela;

    António Cordeiro Caetano e Helena Silva (mais uns primos)

    Isabel Neto e Marcos;

    Cláudia e António Mouta (do café a Toca);

    Fátima Reigada e Alberto – o “Albertinho”;

    Jorge Gato e mulher;

    Carlos Branco e mulher.

    Desejo que a festa corra muito bem, muitas promessas, bonitos andores, e claro boas cerejas, sejam elas do Souto ou não pois, as nossas estão atrasadas e bons arremates.

    Preparem-se para uma bela noite com um fantástico fogo de artificio

    Esperamos pelas fotografias para relembrar

    [Imagens históricas em validação de autoria e direitos.]

    Fotografias autorizadas

    Fotografia de Aida Freitas Ferreira
    Fotografia de Aida Freitas Ferreira
    Fotografia de Aida Freitas Ferreira
    Fotografia de Aida Freitas Ferreira

    Fotografias: Aida Freitas Ferreira. Republicação autorizada pela autora.

  • À Barbara o que é de Barbara, e a Bernardino cerejas.

     

    Já lá vai o tempo do inverno. As folhagens sucederam às flores que agora encobrem cachos verdes de pinções de cerejas ainda a amadurar.

    O dia do São Bernardino está próximo. O Santo das cerejas, do começo do verão, das ceifas, das colheitas e das hortas pra regar com a água dos ribeiros, que depois disso como que a dizer, tarefa cumprida, secam por inteiro até as chuvas do final do outono.

    Um padroeiro muito interessante, São Bernardino, que divide na nossa terra, com Sta. Barbara, a difícil tarefa de serem os protetores das trovoadas. Apesar de dividirem a responsabilidade de mandar as trovoadas embora do espaço aéreo albicastrense, é Santa Barbara que leva a melhor, e que fica com os louros, pois nunca ouvi alguém dizer pelo povo: “só te lembras de São Bernardino quando troveja”. Mas, à Barbara o que é de Barbara, e a Bernardino às cerejas e festa de maio. Eles que estão lá no alto do céu não devem dar muita importância pra estes títulos carinhosos com que nosso povo os apelidou.

    [Imagem histórica em validação de autoria e direitos]

    A devoção e as crenças populares estão cada vez mais distantes e perdidas na memória do povo. Mudam-se os tempos, e as necessidades. O bom santo perdeu a função, poucos ainda se lembram dele quando troveja. Eu confesso minha fé, mesmo longe da terra quando as chuvas, trovões e relâmpagos ameaçam, é para ele que elevo minha prece, meu rico São Bernardino.

    Isto porque me ficaram no coração e na mente as memórias e imagens guardadas da infância, que me trazem de volta o sentimento de angústia e aflição que nosso povo vivia com a ameaça das trovoadas.

    O sustento das almas e dos corpos vinha da terra. A vida e a subsistência estavam nos campos de trigo, centeio, cevada e nas hortas plantadas com batatas, cebolas, feijões, couves, pimentos e alfaces. As trovoadas ameaçavam e punham tudo isto a perder. A fartura e o resultado de um ano inteiro de trabalhos eram perdidos em minutos de tempestade.

    A vida tinha prioridades e valores diferentes das de hoje em dia, as pessoas eram mais solidárias, compartilhavam das mesmas alegrias e dores, viviam juntas os mesmos destinos e sinas.

    Assim quando as nuvens ameaçavam trazer a trovoada, lá estavam as mulheres da nossa terra, a correr para a igreja a pedir a São Bernardino a proteção. Normalmente, eram preces desesperadas e sentidas. Vindas do mais fundo do coração das mães que anteviam a falta do pão nas mesas. Mães que sentiam por antecipação na própria carne a fome dos filhos ou o frio do terrível inverno que teriam que passar com a tulha vazia.

    Mulheres atentas, que tinham a missão de zelar pela vida que corria perigo com a chegada dessas forças terríveis da natureza.

    Mulheres sábias que, ao verem que a ameaça era maior que a força delas, apelavam para o divino, por se sentirem pequenas perante a enormidade da natureza, que se preparava para descarregar um dilúvio por cima da aldeia. Ninguém melhor que São Bernardino e Santa Barbara para interceder.

    Acudiam a igreja com uma escada para descer os santos do altar. Depois, em contrita procissão, subiam à torre da Igreja e lá ficavam a rezar, e a repetir ladainhas entrecortadas por Ave Marias e padre nossos, abraçadas aos santos padroeiros.

    A fé move montanhas. Foram muitas trovoadas que as mulheres de Castelo branco fizeram dispersar a olhos vistos por cima dos cabeços e montes da nossa terra.

    Nem sempre a fé foi suficiente para evitar tragédias, e nem os santos tiveram tal poder. Houve uma trovoada que ficou famosa em nossa aldeia pela desgraça que criou. Quem me lembrou dela foi o nosso amigo Arlindo. Muito em breve estará aqui esta história pra relembrar do acontecimento e da solidariedade das gentes albicastrenses.

    Luis Pardal

    [Imagem histórica em validação de autoria e direitos]

     Foto Guilherme Sanches

    Nota editorial: conteúdo recuperado do antigo Portal Castelo Branco Mogadouro. A formatação foi atualizada para esta republicação; o texto e a data histórica foram preservados.

    Imagens recuperadas

    Imagem recuperada do Portal Castelo Branco Mogadouro
    Imagem recuperada do Portal Castelo Branco Mogadouro

    Imagens recuperadas do acervo histórico do Portal Castelo Branco Mogadouro. Créditos e direitos em conferência documental.

  • Tempo de podar e lavrar as vinhas

     

    Lembro com muita saudade desta época, e dos trabalhos de podar,  lavrar e, arredar as vinhas. Cresci á volta das parreiras. Meu pai dizia que fui encomendado debaixo de uma na nossa vinha da rodela. Não duvido disso.

    Alem dele, meu avó Antonio plantou vinhas nas figueirinhas, vale de viado, prado de carriçais, e no boboedo. Em todas tinha uvas de boas e variadas castas. Na nossa casa sempre tivemos vinho muito bom.

    Nossa região e distrito, está sujeita  a geadas fortes todos os anos que põem em risco as rebentações temporãs. Assim meu avó e pai e a maioria dos conterraneos só podavam as vinhas pelos fins de fevereiro ou começo Março.

    Depois da poda, era hora da lavra. Meu pai sempre fez estes trabalhos  com uma junta de machos, não gostava da lentidão dos bois ou vacas. Era enérgico e gostava de fazer as coisas de forma rápida e eficaz. Como sabem na lavra das vinhas tinham que ser postos em um jugo mais estreito para poder entrar nos valados e chegar com a charrua o mais perto possível das cepas.

    Os valados eram estreitos e lavrados por inteiro de ponta a ponta. Por melhor que fosse o lavrador sempre sobrava trabalho para fazer á mão com os ganchos ou sachos. A charrua e o arado não iam muito perto das parreiras pois tinha risco de as arrancar ou danificar os rebentos. Nisto sempre ficava uma boa porção de terra entre as parreiras que obrigava a cavar para tirar a erva. Este trabalho era feito nos ganchos para arredar a terra, tirar ervas daninhas, e deixar as cepas arejadas e livres de plantas que pudessem disputar a água e mantimentos.

    Era lida para alguns dias. Normalmente as férias da páscoa caiam sempre nesta época e eu voltava todos os anos para o seminário com as mãos cheias de calos que me faziam lembrar durante um bom tempo dos dias na aldeia a arredar as parreiras. Minha mãe dizia que era para me agarrar com mais ganas aos livros a estudar. Um santo remédio…

    Apesar do trabalho duro, sempre lembrava e, lembro ainda, com muitas saudades, das merendas que comiamos juntos, sentados á sombra de alguma oliveira. Minha mãe dizia que a hora de comer era sagrada. Uma toalha estendida no chão e todos sentados à volta dela.

    No farnel da merenda quase sempre havia um pouco do fular que sobrara da páscoa, pão, azeitonas, presunto, queijo, alguma chouriça e alem disso nunca podia faltar uma cantara de barro com água fresca colhida de alguma fontaela localizada perto da vinha. Para os adultos sempre tinha a “bota” do vinho, que refrescava a goela e enchia com novo alento e força os ânimos para continuar os trabalhos.

    A poda tem seus segredos e arte. Poucos tinham na mão e nos olhos o dom de saber ver com propriedade por onde começar e como fazer.

    [Imagem histórica em validação de autoria e direitos]

    Lembro com saudades destes gestos feitos vezes sem fim,  do inicio ao fim do dia pelo meu pai e avo. Estes podadores ficavam parados a olhar a parreira em silêncio no mesmo jeito de quem estuda um mapa. Olhos espertos e atentos olhavam primeiro para a vide e a estudavam para entender como foi a rebentação e desenvolvimento do ano anterior. A grossura e a saúde das vara diziam quais seriam ou não mantidas e em quais valia a pena apostar para uma boa frutificação.

    Depois desta análise experiente era a hora do corte das vides. A tesoura de poda era guardada como um tesouro de um ano para o outro e por mais que eu tentasse não me deixavam chegar perto dela para brincar por nada deste mundo. Tinha que estar bem afiada para cortar bem, com um “golpe” só, sem deixar rebarbas. Por isso a mantinham fora do meu alcance.

    [Imagem histórica em validação de autoria e direitos]

    Sempre me impressionou muito o choro das parreiras. Meu pai dizia que elas choravam por lhes cortarem os braços mas que era um choro de alegria pois não teriam uvas se não as podássemos. Confesso que algumas vezes eu cheguei a beber da seiva que corria solta das vides cortadas, para ver que gosto tinha. Um gosto adocicado com sabor de terra e vide que em nada lembrava o vinho. Fiquei decepcionado. Na verdade tinha gosto de lágrimas, lagrimas de parreira.

    [Imagem histórica em validação de autoria e direitos]

    Mas a poda continuava e ela é na verdade o tratamento da vara que vai dar a próxima rebentação. Lembro que tanto meu pai como meu avó deixavam pelo menos dois “ôlhos”  ou mais dependendo do estado da videira, e que por vezes tabem se deixavam alem da vara o cepo, ou serroteavam parte da cepa para fazer com que ela rejuvenescesse.

    As demais vides eram cortadas rentes para fazer a limpeza da base. No fim do dia recolhiam-nas em molhos e eram amarradas com vencilhos de centeio e amontoados em um canto da vinha para secarem e depois serem levadas para casa e servirem de lenha para o forno ou aquecer a lareira. Na aldeia nada se perdia tudo tinha um uso ou serventia.

    Mas o que mais gostava de ver e ouvir eram as sentenças que tanto meu pai quanto meu avo gostavam de dar do serviço da poda alheia. Sabem do que falo: Ao andar pelos caminhos que passam perto das vinhas pode-se observar o trabalho feito. Quem passava sempre ficava a reparar se a poda estava ou não bem feita. Quem sabe, nota o bom serviço e antevê o resultado para bem ou para mal. E como eles diziam: “Ele há lá podadores e os outros que se dizem, mas na verdade só cortam uma vides, e o pior de tudo é que acreditam que mesmo assim podem esperar que o ano seja propício.”

    Tempos bons que foram embora. Nos anos 60 a vinha constituía depois da cultura do centeio e trigo a maior das extensões cultivadas. Nesta década ocorreu o grande surto emigratório que despovoou nossas aldeias.

    Assim as vinhas de valados estreitos ficaram cada vez mais difíceis de manter pela falta de mão de obra que as cultivasse. A lavra com as vacas, machos ou mulas feitas de forma artesanal e muitas voltas que a terra levava eram feitas no arado charrua, nos ganchos e sacho por muitos jornaleiros que com isso ganhavam a vida, o pão e o vinho. Um dia inteiro para ganhar alguns escudos. Para os mais novos, o equivalente a aproximadamente dez cêntimos.

    Assim chegamos aos anos 80 e a falta de mão de obra ficou cada vez mais notada. Começa então um arranque parcial: valado sim, valada não para que se pudessem lavrar as vinhas com os tractores. A partir de 1986, chegaram os subsídios da CEE para arranque da vinha. De forma desenfreada estes fundos e os donos afoitos ao dinheiro enganador, agiram sem perdão e sem remorsos, piores que a mais destruidora das molestias e liquidaram a tradição de séculos, e as vinhas uma após outra, foram sendo quase todas arrancadas e extintas.

    As cepas que antes se enchiam de cachos maduros de malvasia, verdelho, ou touriga agora serviam de lenha nas lareiras. Quero crer que é por isso que as pareiras choravam e choram por tanto desleixo e insensibilidade.

    A paisagem mudou quando foram retiradas as enormes manchas de verde, o vazio dos campos deixou a paisagem mais árida. O pior é que não voltaremos a ver o verde das parreiras, nem o vinho excelente que sabemos que estas terras davam.

    Nota editorial: conteúdo recuperado do antigo Portal Castelo Branco Mogadouro. A formatação foi atualizada para esta republicação; o texto e a data histórica foram preservados.

    Imagens recuperadas

    Imagem recuperada do Portal Castelo Branco Mogadouro
    Imagem recuperada do Portal Castelo Branco Mogadouro
    Imagem recuperada do Portal Castelo Branco Mogadouro

    Imagens recuperadas do acervo histórico do Portal Castelo Branco Mogadouro. Créditos e direitos em conferência documental.

  • Capela de Nossa Sr.ª da Vila Velha

     

    [Imagem histórica em validação de autoria e direitos]

    Capela de Nossa Sr.ª da Vila Velha – Santuário de um culto muito antigo que a julgar pelo espólio ali encontrado cristianiza as ruínas de um Castro Luso – Romano ali existente.

     

    Nota editorial: conteúdo recuperado do antigo Portal Castelo Branco Mogadouro. A formatação foi atualizada para esta republicação; o texto e a data histórica foram preservados.

  • Igreja Matriz de Castelo Branco

     

    [Imagem histórica em validação de autoria e direitos]

    Igreja de Nossa Senhora da Assunção.

    A actual igreja substituiu uma outra, muito antiga que devia remontar ao sec. XII. Uma das primeiras informações que temos sobre a mesma, data do início do seculo XVI. No interior da Igreja quase tudo se conserva igual à remodelação efectuada em 1793. Tem uma nave única, rectangular e dividida em três tramos por dois arcos de diafragma. O arco triunfal divide a nave da capela-mor característica que era usual sobretudo nas igrejas mais ricas da diocese. No exterior conserva ainda uma cruz de gomos que provavelmente é quinhentista.

    Nota editorial: conteúdo recuperado do antigo Portal Castelo Branco Mogadouro. A formatação foi atualizada para esta republicação; o texto e a data histórica foram preservados.

  • Castelo Branco

    [Imagem histórica em validação de autoria e direitos]

    O Portal castelobrancomogadouro.com/ é um portal originado do carinho amor e  paixão a Castelo Branco.   Será construído por muitas mãos e estará em constante evolução.  Não expressa opinião oficial, partidária, ou religiosa.

    Apenas expressa o sentimento dos que estão por detrás dos artigos e contos:  o amor á nossa terra.

    Vamos reunir nestas paginas, a história, as tradições, o patrimônio e a trajetória de alguns personagens e personalidades.

    Os links e textos serão incluídos aos poucos, “vamos arar as chãs”, conforme as estações e o tempo permitirem e com a participação de todos. As novidades e os assuntos vão surgir, crescer e, ficarão maduros, no tempo certo.

    Os limites da aldeia de Castelo Branco, inspiradora e fonte deste portal, serão expandidos para fora das fronteiras geográficas, o mundo é a fronteira. Os filhos da terra, apesar de viverem dispersos, pelos quatro “cantos” deste mundo grande de Deus, estão presentes em seus corações, nos caminhos, ruas, hortas, casas e lembranças,  deste terra que lhes deu o berço.

    Convido para que participe também. Faça  contato, mande fotos, deixe seus recados no livro de visitas, participe dos fóruns.  Junte ou reencontre amigos ou pessoas queridas. Divulgue o site! Afinal esta é a nossa  aldeia virtual de Castelo Branco.

    [Imagem histórica em validação de autoria e direitos]

    Um forte abraço albicastrense, de Florianopolis, Santa Catarina, Brasil.

    Luis Pardal

    Nota editorial: texto preservado como publicado originalmente; refere-se à fase inicial de construção do portal.

  • Localização de Castelo Branco

    Castelo Branco é uma freguesia portuguesa, trasmontana, situada do concelho de Mogadouro, com 54,57 km² de área e 540 habitantes (2001). Densidade: 9,9 hab/km².Integrada no Concelho fica situada a 12 Km para Sudoeste da sede Concelhia, tendo acesso pela EN 221.

    [Imagem histórica em validação de autoria e direitos]

    Nota editorial: os dados demográficos referem-se a 2001 e foram preservados conforme a publicação histórica.